Plano estratégico do convento franciscano de Serinhaém

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O Ceci concluiu e entregou à Província Franciscana do Nordeste do Brasil o Plano Estratégico para uso e ocupação do Convento Franciscano de Serinhaém. A seguir, apresenta-se um resumo executivo do plano:

O Convento Franciscano de Sirinhaém começou a ser reconstruído na segunda metade do século XVII, após os holandeses deixarem Pernambuco. Nos meados do século XVIII, o convento atingiu aproximadamente a forma que tem hoje. A partir de 1850, passou por uma fase de declínio e abandono chegando a um estado de quase ruína. No início do século XX, frades alemães iniciaram uma série de melhorias para tornar o Convento habitável e apto a suas funções religiosas.

 

Img. 1: Frans  Post “O carro de bois, 1638, detalhe. Fonte:  Bia e Pedro Correa do Lago. Frans Post, Obra Completa

O convento de Sirinhaém é um legítimo representante da escola franciscana de arquitetura, possuindo todos seus elementos dispostos de acordo com os princípios da ordem. Uma de suas singularidades reside na sua relação formal secular com a cidade e a paisagem, relação esta que sobrevive até hoje. O convento tem diversos ambientes de valor artístico e arquitetônico, como o claustro, a nave da igreja, a capela-mor a e a capela da portaria. Os três últimos ambientes destacam-se pelos belos e bem preservados de painéis de azulejos azul e branco.

 

Img. 2: Convento na paisagem urbano-rural de Serinhaém. Foto: Sílvio Zancheti.

Situação sócio-econômica do município

Sirinhaém é um dos 43 municípios da Zona da Mata de Pernambuco. É um município que manteve inalterada sua base econômica desde a fundação, em 1627: a produção da cana do açúcar. Possui uma área de 355,2, 75% quilômetros quadrados dos quais são utilizados na produção canavieira, em terras cultivadas por engenhos, sendo que uma única usina de açúcar possuí 266,62 quilômetros quadrados.

Sirinhaém é um município agrário. No ano 2000, de uma população de aproximadamente 33.000 habitantes, somente 13.646 (41%), viviam em áreas urbanas. A população é constituída, basicamente, por pessoas com mais de quatorze anos (63,5% do total), o que representa uma forte pressão sobre o mercado de trabalho e os serviços sociais. Essa pressão é agravada pelas baixas condições sócio-econômicas da população. Com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) igual a 0,633, Sirinhaém ocupa a 73ª posição na escala do IDHM do Estado de Pernambuco (0,692) e a 4.063ª posição no do Brasil (0,764).

A partir de meados dos anos 1990 o parque industrial da região vem se expandindo devido aos empreendimentos ligados ao parque industrial do Porto de Suape, no município de Ipojuca, e do distrito industrial do município do Cabo. Os projetos de implantação de uma refinaria de petróleo e de um estaleiro criaram expectativas elevadas de investimento em indústrias e atividades de prestação de serviços complementares a esses dois empreendimentos, bem como em empresas que podem se beneficiar dos efeitos multiplicadores gerados pelos investimentos programados.
A indústria açucareira vem recuperando a sua importância devido aos aumentos dos preços do açúcar e as expectativas relativas ao álcool combustível. No caso de Sirinhaém, a produção de álcool e açúcar constitui-se na base da economia local. A usina existente no município é uma das mais importantes no Estado de Pernambuco e estará, seguramente, alinhada com as tendências de expansão que a atividade apresenta.

O turismo tem sido o outro vetor de desenvolvimento econômico da micro-região, especialmente o turismo de praias. A Zona da Mata Sul, onde está Sirinhaém, é a que mais recebe turistas no Estado de Pernambuco e a que tem a maior oferta de serviços ligados à atividade. Os serviços e as infra-estruturas de apoio ao turismo estão concentrados no município de Ipojuca (praia de Porto de Galinhas), mas estão se expandindo rapidamente para outros municípios da micro-região, incluindo Sirinhaém. Nos últimos anos, tem sido possível observar uma expansão de ofertas de serviços para outros tipos de turismo como o ecológico, o cultural e o de aventuras.

Pressões sobre o meio ambiente e a sociedade

Em Sirinhaém, a pressão da expansão econômica sobre as estruturas urbanas não atingiu ainda o grau experimentado em Ipojuca. Entretanto, pode-se observar um impacto significativo no município devido à pequena das terras disponíveis para a expansão das atividades econômicas e sociais da localidade. Não existem, praticamente, áreas livres para o crescimento da cidade, o que causa uma densificação da área urbana que está totalmente ocupada, levando a uma maior pressão sobre as frágeis infra-estruturas e serviços urbanos. Os principais impactos ambientais advêm da expansão urbana, especialmente no distrito sede do município, e do crescimento do turismo na faixa litorânea. Essa se constitui na área privilegiada pelos empreendimentos imobiliários e hoteleiros da região, devido à falta de terras para construção imobiliária em Porto de Galinhas. No caso da área ocupada pela produção de cana-de-açúcar, a pressão sobre o meio ambiente tem diminuído consideravelmente, devido às iniciativas da usina local em implantar programas de proteção de educação ambiental, especialmente, a criação de corredores ecológicos, com a manutenção de fauna e flora características da Mata Atlântica, e a proteção de manguezais.

O impacto do crescimento econômico micro-regional sobre o trabalho no município é ainda incerto. Entretanto, pode-se esperar um aumento significativo na oferta de empregos em todos os níveis de especialização profissional. Contudo, o perfil atual da mão-de-obra municipal não é apropriado ao nível de qualificação exigido pelos novos empreendimentos. Existe uma carência muito grande de trabalhadores qualificados, fruto do baixo índice de educação básica dos residentes locais.

O planejamento governamental

Somente há poucos anos, o desenvolvimento da Mata Sul de Pernambuco veio a ser objeto de planejamento governamental. Esse planejamento foi complementado por planos e projetos voltados para a melhoria das condições de vida nas cidades e para prevenir a degradação do meio ambiente da região. Cabe destacar os planos Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (PRODETUR) e o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata de Pernambuco (PROMATA).

O PRODETUR é um projeto de do Governo Federal cujo objetivo é a melhoria da qualidade de vida da população em áreas de interesse do turismo.  Na sua primeira fase, o programa concentrou-se na melhora da infra-estrutura turística. A segunda fase,  ainda não implantada, objetiva completar e complementar as ações necessárias para tornar o turismo sustentável em benefício da população local.  Parte da infra-estrutura construída e reformada, recentemente, no município de Sirinhaém, especialmente na zona litorânea, foi realizada com o financiamento desse Programa.

O PROMATA é um programa do Governo do Estado de Pernambuco, que utiliza um financiamento do Banco Mundial. O Programa visa o “desenvolvimento da região da Mata Pernambucana, historicamente vinculada à economia da cana-de-açúcar, através da construção de estratégias participativas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população. As ações do programa compreendem basicamente a elaboração dos Planos de Investimento Municipal (PIM), baseados nas demandas levantadas durante o diagnóstico participativo. As ações propostas pelo PIM de Sirinhaém estão concentradas em: educação básica; capacitação profissional; apoio ao empreendedorismo local; melhoria da produção dos pequenos produtores rurais; proteção ao meio ambiente; melhoria das condições dos equipamentos de saúde; melhoria da infra-estrutura urbana e melhoria dos equipamentos urbanos e espaços públicos.

O conjunto de programas governamentais existentes não aponta para mudanças substanciais na estrutura da economia e da sociedade local. Com a exceção do turismo, da indústria de SUAPE e da agro-indústria canavieira, não existem atividades econômicas que possam se beneficiar diretamente dos programas governamentais como elementos de indução de seu desenvolvimento. No curto e no médio prazo, pode-se esperar que o efeito multiplicador dos investimentos, realizados nessas três atividades, propicie uma alavancagem de atividades complementares, e que proporcione um aumento dos postos de trabalho e da renda. Esse efeito poderá ter um impacto positivo nas atividades econômicas e, também, sobre as finanças municipais.

As possibilidades de novas atividades no Convento

Foram identificadas cinco áreas de investimento com potencial para serem desenvolvidas no Convento de São Francisco em Sirinhaém: formação e capacitação de mão-de-obra; serviços de promoção cultural e de eventos;  serviços de apoio à conservação ambiental; serviços de apoio à produção local e serviços de apoio ao turismo.

 

Fig. 1: Setorização de usos do pavimento térreo.

A partir dessas áreas de investimento foram analisadas atividades produtivas e sociais, de forma isolada ou em composição (mixes), cujo funcionamento seja possível de ser realizado nos espaços conventuais. Também foi definido que as novas atividades, ou mix, deveriam poder conviver com as a atividade de celebração de rituais na igreja e visitação pública às dependências de importância artística do convento.

Os mixes de atividades foram analisados pelos dos frades franciscanos utilizando os seguintes critérios de escolha: o modo de gestão da propriedade, os benefícios gerados para a comunidade local e os benefícios gerados para a comunidade franciscana.

De acordo com esses critérios, os frades franciscanos priorizaram os seguintes conjuntos de atividades:

* Hotelaria com ou sem gastronomia;
* Entidades ligadas à capacitação profissional;
* Hotelaria com treinamento para hospedagem (hotel-escola);
* Congressos, convenções, exposições e hotelaria p/eventos;
* Cursos de capacitação, congressos, convenções e exposições.

Condicionantes à ocupação do Convento

O estado de conservação do convento funciona como condicionante para as atividades a serem implantadas no convento.

Atualmente, os problemas de maior recorrência dizem respeito a manchas de umidade, sujidades, fissuras, irregularidade nas superfícies e ação de insetos xilófagos. Várias dessas patologias, que podem ser encontradas em quase todos os ambientes conventuais, são decorrentes dos elementos da cobertura, cujo estado requer cuidados imediatos.

Dentre os ambientes conventuais mais carentes de intervenções de conservação estão a capela mor, a capela lateral, a nave e a sacristia. São espaços fundamentais para a manutenção do funcionamento das atividades de caráter religioso e consideradas essenciais para a preservação da autenticidade e da ambiência do edifício.

Também é preocupante a ameaça de deterioração que as patologias já mencionadas representam para os elementos artísticos presentes nos corredores do convento, no claustro e no parlatório, ambientes de grande interesse para as atividades de visitação. As manchas de umidade e sujidades encontradas nas superfícies do convento podem prejudicar o funcionamento das atividades de hotelaria e gastronomia que, mais ainda que outras, requerem uma ambiência rigorosamente higiênica.

Congressos, convenções e exposições, assim como as atividades ligadas à capacitação profissional tendem a gerar um grande fluxo de pessoas nos espaços conventuais, remetendo à necessidade de que sejam sanados os problemas que atingem áreas de circulação, como corredores e claustro.

É de ressaltar, por fim, que todas as novas atividades a serem implantadas certamente exigirão a troca e o redimensionamento das instalações elétricas e sanitárias da edificação, uma vez que implicarão na implantação de sistemas de adequados ao desempenho das novas funções.

Diretrizes para a implantação das novas atividades no Convento

A implantação das novas atividades no convento franciscano de Sirinhaém deverá observar os princípios básicos de respeito à tradição religiosa do local; convivência harmoniosa das atividades novas com as tradicionais; conservação integral do patrimônio e manutenção da autenticidade do Convento, pela intervenção mínima no edifício.

Em conformidade com esses princípios, os espaços conventuais foram objeto de uma setorização, que procurou estabelecer diretrizes para a ocupação do edifício.

São quatro os setores de uso restrito:

O Setor 1, o uso restrito, deverá abrigar atividades (cerimônias) de caráter estritamente religioso, objetivando a manutenção da sacralidade conventual;

O Setor 2, o uso mínimo, comportará apenas a realização de atividades de pouco impacto, pois os seus espaços contêm obras de relevante valor artístico, cuja preservação requer cuidados especiais;

O Setor 3, o uso restrito, poderá ser somente mobiliado, uma vez que nos seus ambientes está inserido o claustro, espaço destinado, tradicionalmente, à meditação, à oração e ao recolhimento, em torno do qual gravitam todos os demais espaços arquitetônicos do conjunto franciscano;

O Setor 4, o uso coletivo, será utilizado, preferencialmente, para usos coletivos, em respeito à tradição franciscana de destinar ao convívio social os ambientes localizados nas extremidades (cantos) dos conventos.

O Setor 5, o uso amplo, poderá sofrer intervenções para o funcionamento de qualquer espécie de atividade, mas a autorização para intervenções de maior porte deverá contar com o respaldo de estudos técnicos específicos.
 

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