Premissas

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A visão do Plano Diretor

O Plano Diretor foi desenvolvido com uma visão de longo prazo que busca garantir que sejam perpetuados os valores culturais, especialmente a mensagem espiritual franciscan. O plano pressupõe também que Conjunto mantenha os usos de interesse para a comunidade franciscana, dos usuários, dos estudiosos e dos visitantes, atuais e futuros, e que os usos garantam um fluxo de serviços e receitas no longo prazo.

Segundo essa visão, o Plano Diretor (PD) propõe uma política de uso continuado do Conjunto pela comunidade local e externa, como uma forma de estabelecer a sustentabilidade integral do bem e a manutenção da mensagem cultural e dos valores culturais para as futuras gerações. Isso somente pode ser obtido com uma clara estratégia de gestão integral que organize os meios e arregimente os recursos necessários para garantir a sustentabilidade.

O PD propõe, então, a manutenção do Conjunto Franciscano como um bem destinado à prática religiosa, especialmente o culto e o ensino, mas capacitado a fornecer serviços culturais à comunidade.

 

Diretrizes de longo prazo

Para a realização da visão estabelecida acima, foram traçadas seis diretrizes que informam as ações do Plano.
Diretriz da conservação

O Plano Diretor foi construído de modo que a contribuir para a conservação do bem patrimonial, sendo a conservação entendida como um processo integrado e continuado de manutenção das características materiais, espaciais e artísticas, utilizando, principalmente, os recursos e as práticas construtivas tradicionais.
Diretriz da sustentabilidade

A gestão preconizada pelo PD deve favorecer a sustentabilidade integral e de longo prazo do Conjunto Franciscano, isto é, as propostas do PD devem estar adequadas às capacidades de gerência e mobilização de recursos dos seus proprietários e dos outros atores com responsabilidades na tutela da manutenção do imóvel. As mudanças de uso, reformas e  expansões da área construída devem ser ponderadas com relação aos custos e benefícios das ações, principalmente dos custos de manutenção de médio e longo prazo relativamente ao fluxo de benefícios econômicos e financeiros.
Diretriz da intervenção mínima

As intervenções sobre a estrutura física e material do Conjunto devem ser as mínimas possíveis, necessárias somente para adequar a estrutura material existente aos usos propostos e realizar os reparos necessários para garantir a integridade física. A mesma diretriz aplica-se  à expansão da área construída e à ocupação de solo virgem.
Diretriz de respeito à autenticidade

Qualquer intervenção a ser realizada no Conjunto deve respeitar a autenticidade dos  aspectos materiais ou imateriais. Nesse sentido, as propostas do PD devem favorecer o uso das técnicas e dos materiais construtivos tradicionais, utilizados historicamente na conformação física do Conjunto. O uso de técnicas e materiais modernos não fica proibido, especialmente no caso de novas construções, mas deve ser sempre avaliado segundo o impacto que pode gerar na autenticidade e na integridade do Conjunto e de suas partes.
Diretriz de valorização da manutenção

As ações de manutenção periódica do Conjunto devem ter um papel preponderante no PD com relação às intervenções reparadoras, inclusive as de restauro. Nesse sentido, o PD organiza um conjunto de ações de manutenção que, no médio e longo prazo, minimiza a prática do restauro e da substituição de estruturas e materiais antigos.
Diretriz da integração de novos usos

Os novos usos devem contribuir para a sustentabilidade do Conjunto e não devem causar alterações nas características patrimoniais do Conjunto e de sua área pomar. O convento deve continuar a ser a residência dos franciscanos e a introdução de qualquer novo uso deve respeitar a maneira franciscana de ser e a ambiência religiosa do ambiente.

 

Objetivos do Plano Diretor

Os objetivos do PD foram elaborados de forma que sejam mensuráveis, formulados de modo consensual, realistas quanto aos propósitos, e passiveis de execução dentro do horizonte temporal do plano.

Os objetivos estão expostos a seguir.
Objetivos de atualização do PD

As informações sobre os valores patrimoniais (capítulos 7 e 8 do relatório intermediário) e a declaração de significância (captíutlo 1 deste relatório)serão consultadas antes de qualquer tomada de decisão que implique ação ou obra que possa alterar as características físico-materiais do Conjunto Franciscano.

Qualquer mudança nesse Plano deverá ser avaliada segundo as seguintes questões:

As propostas põem trazer impacto na autenticidade patrimonial do Conjunto e suas partes? Se a resposta for positiva, a ação deve ser evitada ou substituída por uma outra que seja neutra com relação à autenticidade. No caso de uma ação ser inevitável, deve-se obter-se um registro o mais fiel possível do que será perdido, inclusive guardando o material de valor cultural que for substituído.

As propostas contribuem para aumentar o grau de conservação do Conjunto no longo prazo? As ações que melhoram o grau de conservação no curto e médio prazo devem ser avaliadas segundo os potenciais de impacto no longo prazo.

As propostas de mudança do Plano trazem claros benefícios para a sustentabilidade do conjunto a longo prazo? É importante que as ações sejam pensadas segundo uma perspectiva de custo-benefício econômico de longo prazo. O balanço entre custos e benefício deve sempre tender para um ganho positivo em termos econômicos, mesmo que em termos financeiros seja mais custoso. Considerações de ganhos no curto prazo devem ser evitadas, ou ponderadas pelos critérios da autenticidade e do grau de conservação expostos acima.
Objetivos de sustentabilidade

A gestão do Conjunto Franciscano deve objetivar uma receita, com os novos usos, que seja suficiente para cobrir os gastos de manutenção periódica da estrutura físico-material e para formar um fundo para as despesas eventuais e imprevisíveis.

Os custos de ações e reparo, fundamentais no início da implantação do PD, devem ser cobertos, preferencialmente, com fontes de financiamento externas, como as oriundas das leis de incentivo à cultura, e de instituições beneficentes.
Objetivos de novos usos

O Conjunto deve continuar com a sua secular utilização como habitação para os membros da Ordem Franciscana e de prestação de serviços religiosos para a comunidade, sendo que os espaços destinados a esses usos devem ser adaptados para prover as condições ambientais e de conforto compatíveis com os padrões atuais de habitabilidade.

A Escola de Teologia deve ser ampliada de forma a prover serviços para um número maior de alunos, em ambientes qualificados. Também devem ser previstos ambientes e instalações para a residência temporária de alunos e professores visitantes.

Os espaços destinados à visitação turística deverão ser mantidos e, se possível, ampliados, além de serem feitas melhorias para potencializar essas atividades, como a climatização de alguns ambientes para a exposição de objetos sacros e exposições áudios-visuais. Também deve ser prevista uma loja para a venda de souvenirs, publicações, guias turísticos, etc.

Devem ser adaptadas partes da estrutura física do Conjunto e ampliada a área construída para que possam ser prestados serviços de eventos sociais e culturais, como recepções sociais e reuniões científicas e técnicas, dentre outras. Nesse sentido, devem ser exploradas as possibilidades de construção de um auditório para 150/200 pessoas dentro do terreno e próximo ao convento, que poderia incluir, também, uma cozinha especializada para apoio aos eventos.
Objetivos de gestão

A gestão do Conjunto Franciscano deve basear-se em um sistema de gestão negociado e cooperado que reúna:

  • Uma instância de decisão - a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil (proprietária do convento) e a Ordem Franciscana Secular do Brasil (proprietária da Ordem Terceira);
  • Uma instância de consulta – O IPHAN , a Prefeitura de Olinda e representantes da comunidade do sítio histórico de Olinda.

 


Objetivos de conservação

Manter, reparar e preservar as características físicas, espaciais, ambientais e artísticas do Conjunto Franciscano, como estão identificadas na Sessão XX, acima.

Elevar o grau de conservação de todos os cômodos e dos elementos decorativos integrados à arquitetura a um nível satisfatório que interrompa os processos de deterioração hoje existentes e, a partir de então, manter esse grau indefinidamente por processos de manutenção periódica.

A manutenção e reparação da edificação do Conjunto deve:

Seguir o princípio da intervenção mínima;

Manter os detalhes arquitetônicos, construtivos e decorativos quando algum reparo de maior intensidade seja necessário;

Priorizar o uso dos materiais e técnicas tradicionais;

Realizar periodicamente a pintura das alvenarias, esquadrias, higienização dos forros decorados e limpeza das cantarias, por exemplo.

Estabelecer um programa de inspeção e um procedimento de avaliação de risco e vulnerabilidades anual, qüinqüenal e decenal relativo ao estado inicial de conservação da edificação e da área livre, identificado no início da implantação do PD;

Utilizar os instrumentos acima menconados para a decisão quanto às obras a serem realizadas;

Capacitar uma equipe mínima de manutenção cotidiana para efetuar reparos imediatos, como a remoção de goteiras, o rompimento de tubulações, a quebra de ferragens de esquadrias.

 

Objetivos específicos Quanto à paisagem

Manter a paisagem urbana formada pela cobertura vegetal dos pomares, cerca conventual e Hotel 7 Colinas e pelos gabaritos das edificações circundantes, especialmente as da orla marítima;

Restabelecer a forma urbana do adro;

Manter as vistas mais importantes do Conjunto a partir dos pontos de vista do Seminário de Olinda, do Mirante da Sé e da orla marítima.
Quanto ao pomar e à vegetação

Realizar pesquisa histórica sobre a estrutura do pomar e de sua vegetação.

Realizar projeto de parque botânico histórico sobre a cultura de pomares dos franciscanos, a ser aberto à visitação pública, contemplando o acesso para bombeiros e caminhões de limpeza urbana, e especialmente para pessoas portadoras de deficiência física.

Manter o estoque de árvores existentes com relação ao estado inicial de conservação do pomar, replantar as árvores mortas, especialmente aquelas abatidas pelo incêndio de 2006 e completar o estoque com vegetação identificada nos estudos históricos.

Consolidar as ruínas da bica, recolocando-a em uso e integrando-a ao parque.
Quanto aos bens arqueológicos

Restabelecer a composição urbanístico-arquitetônica do adro, anterior ao início das escavações arqueológicas.

Utilizar métodos não-invasivos nas novas prospecções que, porventura, venham a ser realizadas no interior da edificação. Em hipótese alguma devem ser realizadas prospecções que possam destruir ou remover, mesmo temporariamente, reboco de qualquer espécie, alvenaria, cantaria, piso de ladrilhos hidráulicos, tijoleiras antigas, ornamentos aplicados à arquitetura e lápides funerárias, exceto amostras mínimas para testes físico-químicos.
Quanto à manutenção da estrutura da construção

Fundações: Restabelecer e ampliar o monitoramento do deslizamento do morro e do abatimento das fundações.

Paredes e rebocos: Restabelecer e ampliar o monitoramento das lesões das paredes por meio de medições regulares.

Telhados: Remover a subcobertura de manta de poliéster/alumínio e restabelecer o telhamento e madeiramento tradicionais.
Quanto aos bens artísticos

Azulejos

  • Realizar análise para determinar os tipos e causas das degradações.
  • Indicar obras emergenciais para diminuir a pressão hidráulica nas bases das paredes onde estão fixados os painéis.
  • Plano de restauro dos azulejos para a  consolidação e reintegração das imagens faltantes, onde for possível.

Forros, retábulos e talhas
  • Realizar uma proposta para projeto de intervenção nos suportes dos forros e nas superfícies com pinturas artísticas.
  • Realizar uma proposta para projeto de intervenção nos retábulos e talhas em geral, com tratamento de desinfestação de insetos, reposição parciais, redouramento e pintura.
  • Alfaias, mobiliários e objetos artísticos e bibliográficos
  • Realizar proposta para projeto de catalogação, restauro e exposição de alfaias, mobiliários e objetos artísticos e bibliográfico em ambientes típicos da vida monástica, integrando-os no calendário das festas religiosas.
 
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